segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ambulatório de Gastroenterologia

                                        

Queixa principal: " Nó na garganta"
                           

Hipótese diagnóstica: Perversão do apetite - o indivíduo só se alimenta à temperaturas muito quentes. ( Amores, abraços, sussurros: todos ferventes ). Quando tenta engolí-los mornos, engasga-se, sufoca-se. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ode aos olhos tristes.

Pergunto-te, relento, o que será que vem de dentro?
Tem tanto tempo, foi com o vento, nem me lembro.
E nesse vento, foi pro mundo dos inventos.
E sorrateiro deve estar a passear.
 Pergunto-te tristeza, aonde foi aquele encanto?
Que tinha canto, tinha pranto, e risos, tanto.
Onde estará o que guardava em meu recanto?
Eu por enquanto nem sei onde procurar.
 Pergunto-te saudade, aonde foi meu riso fácil?
 Meu traço simples de palavras que entrelaçam.
 E fluem livres, soltas, leves e se encaixam.
 De tão voláteis devem estar a flutuar.
 Querido espelho, aqui estão meus olhos negros.
 Traços rasgados, marejados de amor.
 Eles esperam as respostas desse mundo.
 Pra que se encontrem brilho novo e vejam cor.

Bilhete antigo.

Belém, 10 de agosto de 2011.


 Te deixo, te expurgo, te expulso. Vou cospir o nó. Enfiar os dedos, mãos, pernas, na garganta e obrigar-te a sair. Não me invada. Não me envolva. Não chegue perto. Quero distância do que estremece meu silêncio.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Manoela

Amarela
Quase bronze.
De canela
Pensa longe.
Sem segredos,
Despudorada.
Não tem medos,
Vale nada.
Manoela...menina.
Minha bela! Me nina.
Noite é dela,
Rebolado
Piscadela:
Encantado.
Levo vela,
Vou na procissão.
Tirem dela,
O meu coração.
Manoela...menina.
Minha bela, me nina...
Ela é bela,
Enfeitiçado.
Manoela,
Sou casado.
Vou-me embora
Ou enlouquecer.
Mundo afora,
É melhor correr.
Manoela...menina.
Minha bela, me nina...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ode à felicidade!

Nós românticos, vivemos procurando motivos para sentir emoção porque somos viciados, como que por droga. Desejamos sentir o coração apertado, taquicardia, frio na barriga, nó na garganta. Inventamos amor por onde quer que estejamos. Nos saciamos de procurar completar nossas metades ainda que, no fundo, saibamos que a metade exata sempre estivemos longe de encontrar. Então chega um momento em que aprendemos que a metade nunca será preenchida pelos objetos de dificil encaixe. Um belo dia,como em um passe de mágica eis que ela chega, sorrateira, perfeita. Em um estalido( pleck )encaixa pra sempre. Ela pode ser simétrica, mas também de textura, cor ou consistência diferentes. Mas a alma abraça, se entrelaça em um sopro de Deus e então vem a certeza: Encontrei. Quentinho,que nem colo de mãe, edredon no frio. Com gosto de mãozinha de bebê. O amor da sua vida não precisa ser um príncipe encantado. Precisa ser amor, de sua forma e jeito. Ele não precisa falar a sua língua, nem ter o seu sotaque, mas a comunicação precisa ir além dos 5 sentidos. Tem que ser de cheiro, de pele, de sonhos... Tem que chegar no momento certo e, como diria Milan Kundera e sua insustentável leveza, feito de acasos. Aquele amor que você não esperava e Deus colocou nos teus braços para você segurar com força e nunca mais largar. E que não se fez necessário o menor esforço para que acontecesse, simplesmente aconteceu porque era destino. O ser humano ama a dificuldade, as paixões proibidas, as emoções que tiram o sono. Se liga ao impossível porque se torna mais desejável, quanto mais dificil for. Até o momento em que descobre a paz do riso fácil, do amor saudável, do calor do abraço e do sonho dividido. Nesse momento, sem perceber encontramos o que sempre procuramos na vida e tudo se torna ínfimo diante dele, a palavrinha mágica que insistimos em usar antes mesmo de conhecer o real sentido, o amor.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Hold my hand

Aqui estão elas: Minhas mãos cansadas. Pequenas, de unhas roídas e cheias de calos fibrosados, antigos... Quase tão cansadas quando aquele, que mais apanha do que bate, dentro do peito.
Hold my hand! As mãos ferem, os braços dóem de puxar a corda, sem parar. É hora de caminhar lado a lado. Olho no olho. E o romantismo dos atos heróicos que só os aquarianos entendem, ficarem um pouco para trás.
Segure minhas mãos e braços e pés e beijos e abraços. E trato feito.
É hora de não mais olhar pra trás.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O que é amor? ( sem tanto clichê )


Vou.
Arrastando os dedos,como quem deseja levar,nos pés um pouco de terra e deixar,no caminho,alguma marca que possa conduzir a mim. É triste,ir. Por mais tortuoso que seja o terreno,deixá-lo dói.
Somos materialistas até a alma. Sem querer e,contra as leis de Deus,nos apegamos não só aos objetos,mas também às pessoas. E,por mais desvirtuado que esteja o mundo,ainda necessitamos das relações humanas. "É impossível ser feliz sozinho".
Imagine-se em uma ilha deserta. Cheio de dinheiro,conforto,comida " à la vonté " e tudo que tem direito. Seria uma vida de poder,luxo...alegria,não? Quem disse que dinheiro não traz felicidade,certamente não passava por dificuldades financeiras.Agora,imagine que,nessa ilha e,em todo o restante do mundo não existisse mais ninguém,só você.O sentido da vida ainda existiria? Ao menos para mim,não.
É certo: "Amar ao próximo como a si mesmo" é lei divina. Mas até onde vai o amar? Até onde está o verdadeiro amor,que ama,incondicionalmente e acima de qualquer mágua e qualquer distância e,em que momento ele se desvencilha daquilo que apenas supre carência e nos dá sensação de posse?
_É meu e pronto.
O ser humano precisa possuir. Precisa sentir-se dono de algo. Nem que seja o carinho exclusivo de alguém.
Somos,essencialmente monogâmicos. Não por falta de desejo de ter muitos homens e/ou mulheres,ao mesmo tempo,porque libido,no ser humano,não falta no estoque. Mas por precisarmos ser donos e,por convenção,para sermos donos,precisamos ser propriedade.
É bonitinho,quando se é criança e a mamãe nos observa apontar para o brinquedo novo e dizer,com os peitos estufados: É meu! O grande problema é a herança egoísta que se estende aos anos seguintes.
Crescem ossos,músculos,tecido adiposo e a produção de hormônios explode em êxtase,na puberdade: é aí que mora o perigo.
Na adolescência surge a busca incessante do amor. Essa busca é árdua e dura toda a vida. Se não encontramos,estamos à procura. Se encontramos,terminamos insatisfeitos,afinal,a partir do momentio em que se conhece os defeitos de alguém,esse alguém passa a ser um incômodo. Como o ser humano procura responsabilizar pessoas pela sua felicidade e infelicidade,descartar torna-se a melhor opção. Ora,se uma roupa não me serve mais,compro outra,não? Customizar dá trabalho,Certo? Errado.Posso ser uma velha de vinte e um anos,a careta das caretas,mas,confesso: Não acredito nessa convenção.
Em uma visão espiritual,acredito que nenhuma união é por acaso. Em, "Jesus e Kardec" ,lembro-me ter lido sobre isso.É necessário que se entenda o sentido do amor.
Metaforicamente,amor é construção. Sid Ali,em " O Clone",diz isso sempre,o que me faz admirar veementemente a cultura Islâmica. Quem disse que novela não é cultura? Os orientais evitam as tentações e contróem os laços,em nome de Deus e não da satisfação do prazer pessoal,nem do desejo sexual e não destróem o sentimento nas primeiras discussões,confiando na oferta fácil do sexo,que a imprensa macifica, agressivamente.
Amar é materialismo,sim,mas da forma mais bonita que pode existir. É sensação de dependência? Um pouco. Mas uma dependência saudável. O "precisar" da simples presença e não da submissão alheia. É amar o sorriso e as lágrimas. Os defeitos e as qualidades. "Na saúde e na doença,na alegria e na tristeza,na riqueza e na pobreza." Nada mais adequado.
Por fim,amar é não querer ir embora.Por isso,caso um dia você se sinta ligado a alguém,a ponto de,na distância,os dias não terminarem,a bebida não fazer efeito,o Carnaval não causar empolgação e as letrinhas dos livros dançarem ula-ula,na véspera de uma prova,pá-pum: é amor. Amarre-se e não largue,nem sob tortura. Felizes os que têm a sorte de sentir! Amarre-se,vale ressaltar,na beleza daquilo que está sentindo. Não,necessariamente à pessoa que inspira.
Aprender a amar é uma dádiva. O melhor de tudo é que a experiência que isso causa é como andar de bicicleta,não se desaprende. Você pode,na trama da vida,encontrar diversos personagens diferentes,a cada temporada. Podem entrar e sair atores e candidarem-se diversos substitutos. Você pode perder um amor,mas nunca perderá a capacidade de amar!