domingo, 25 de fevereiro de 2018

    "Um artista se alimenta do seu próprio sangue".  Já diria Frida Kahlo.
    Só se dá cor ao que já se sentiu, se leu ou se viu. Alimenta-se da própria dor. Do próprio frio e do      próprio calor.
    Um bom artista se deglute, se reflui, regurgita e depois vomita para ilustrar o que o mora lá dentro e  o coração insiste em  expremer por entre as paredes grossas.
    Engula-se, regurgite-se, expulse-se.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ambulatório de Gastroenterologia

                                        

Queixa principal: " Nó na garganta"
                           

Hipótese diagnóstica: Perversão do apetite - o indivíduo só se alimenta à temperaturas muito quentes. ( Amores, abraços, sussurros: todos ferventes ). Quando tenta engolí-los mornos, engasga-se, sufoca-se. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ode aos olhos tristes.

Pergunto-te, relento, o que será que vem de dentro?
Tem tanto tempo, foi com o vento, nem me lembro.
E nesse vento, foi pro mundo dos inventos.
E sorrateiro deve estar a passear.
 Pergunto-te tristeza, aonde foi aquele encanto?
Que tinha canto, tinha pranto, e risos, tanto.
Onde estará o que guardava em meu recanto?
Eu por enquanto nem sei onde procurar.
 Pergunto-te saudade, aonde foi meu riso fácil?
 Meu traço simples de palavras que entrelaçam.
 E fluem livres, soltas, leves e se encaixam.
 De tão voláteis devem estar a flutuar.
 Querido espelho, aqui estão meus olhos negros.
 Traços rasgados, marejados de amor.
 Eles esperam as respostas desse mundo.
 Pra que se encontrem brilho novo e vejam cor.

Bilhete antigo.

Belém, 10 de agosto de 2011.


 Te deixo, te expurgo, te expulso. Vou cospir o nó. Enfiar os dedos, mãos, pernas, na garganta e obrigar-te a sair. Não me invada. Não me envolva. Não chegue perto. Quero distância do que estremece meu silêncio.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Manoela

Amarela
Quase bronze.
De canela
Pensa longe.
Sem segredos,
Despudorada.
Não tem medos,
Vale nada.
Manoela...menina.
Minha bela! Me nina.
Noite é dela,
Rebolado
Piscadela:
Encantado.
Levo vela,
Vou na procissão.
Tirem dela,
O meu coração.
Manoela...menina.
Minha bela, me nina...
Ela é bela,
Enfeitiçado.
Manoela,
Sou casado.
Vou-me embora
Ou enlouquecer.
Mundo afora,
É melhor correr.
Manoela...menina.
Minha bela, me nina...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ode à felicidade!

Nós românticos, vivemos procurando motivos para sentir emoção porque somos viciados, como que por droga. Desejamos sentir o coração apertado, taquicardia, frio na barriga, nó na garganta. Inventamos amor por onde quer que estejamos. Nos saciamos de procurar completar nossas metades ainda que, no fundo, saibamos que a metade exata sempre estivemos longe de encontrar. Então chega um momento em que aprendemos que a metade nunca será preenchida pelos objetos de dificil encaixe. Um belo dia,como em um passe de mágica eis que ela chega, sorrateira, perfeita. Em um estalido( pleck )encaixa pra sempre. Ela pode ser simétrica, mas também de textura, cor ou consistência diferentes. Mas a alma abraça, se entrelaça em um sopro de Deus e então vem a certeza: Encontrei. Quentinho,que nem colo de mãe, edredon no frio. Com gosto de mãozinha de bebê. O amor da sua vida não precisa ser um príncipe encantado. Precisa ser amor, de sua forma e jeito. Ele não precisa falar a sua língua, nem ter o seu sotaque, mas a comunicação precisa ir além dos 5 sentidos. Tem que ser de cheiro, de pele, de sonhos... Tem que chegar no momento certo e, como diria Milan Kundera e sua insustentável leveza, feito de acasos. Aquele amor que você não esperava e Deus colocou nos teus braços para você segurar com força e nunca mais largar. E que não se fez necessário o menor esforço para que acontecesse, simplesmente aconteceu porque era destino. O ser humano ama a dificuldade, as paixões proibidas, as emoções que tiram o sono. Se liga ao impossível porque se torna mais desejável, quanto mais dificil for. Até o momento em que descobre a paz do riso fácil, do amor saudável, do calor do abraço e do sonho dividido. Nesse momento, sem perceber encontramos o que sempre procuramos na vida e tudo se torna ínfimo diante dele, a palavrinha mágica que insistimos em usar antes mesmo de conhecer o real sentido, o amor.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Hold my hand

Aqui estão elas: Minhas mãos cansadas. Pequenas, de unhas roídas e cheias de calos fibrosados, antigos... Quase tão cansadas quando aquele, que mais apanha do que bate, dentro do peito.
Hold my hand! As mãos ferem, os braços dóem de puxar a corda, sem parar. É hora de caminhar lado a lado. Olho no olho. E o romantismo dos atos heróicos que só os aquarianos entendem, ficarem um pouco para trás.
Segure minhas mãos e braços e pés e beijos e abraços. E trato feito.
É hora de não mais olhar pra trás.